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Entrevista com a diretora Susanna Lira sobre o filme Damas do Samba.

 

 

 

 

RIO — O que une personagens tão distintas como Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Alcione, Leci Brandão, Jovelina Pérola Negra, Clara Nunes, Rosa Magalhães, Tia Surica, Dona Zica e Tia Ciata é sua paixão pela cultura brasileira, expressa através de sua faceta mais conhecida, o samba. No documentário “Damas do samba”, de Susanna Lira, essas mulheres oferecem um panorama feminino sobre os bastidores do gênero. O filme foi exibido pela primeira vez em 2013 no Festival do Rio, mas só estreia agora, na próxima quinta-feira, dia 17. A ideia de Susanna, como ela conta na entrevista abaixo, é, depois, transformar o material numa série de TV.

O que levou você a fazer o documentário?

Sempre me incomodou muito essa visão do carnaval em que a mulher é considerada um objeto, apenas um corpo para ser apreciado. A mulher é obviamente muito mais do que isso, e sua importância para o samba é gigante. Histórias como as da Tia Ciata e da Dona Zica, por exemplo, mostram bem como o samba não existiria sem a mão das mulheres.

Certamente existem muitas histórias como as de Ciata e Zica. Como foi escolher quais personagens entrariam no documentário?

Não foi fácil, a gente precisava eleger as pessoas que representassem mesmo a cultura do samba. Não estão todas lá, porque não dava, mas tentamos pegar desde o início, com a Tia Ciata, até novas gerações de passistas. Tentamos não mostrar só as mais famosas, mas dar um panorama de quem está por trás dessa cultura.

Muitas dessas personagens só aparecem para um público maior durante os meses que precedem o carnaval e durante a festa. E no resto do ano?

Elas têm um trabalho importante que as pessoas desconhecem. Nossa escolha das personagens passou por isso, quisemos mulheres atuantes. A passista da Portela que está no filme mantém atividades sociais durante todo o ano. A Tia Surica faz a feijoada na Portela todos os meses. O carnaval é o ápice, mas há uma atuação árdua e invisível nos outros meses.

O filme foi exibido no Festival do Rio de 2013, mas só está sendo lançado agora. Por quê?

A gente precisava captar mais dinheiro para pagar os direitos musicais. Foram 40 músicas, e isso era muito caro. Como a gente ganhou uma menção honrosa no Festival do Rio, facilitou o trabalho. Mas só conseguimos estrear agora. Também estamos planejando uma série para a TV Brasil, em que poderemos explorar mais essas histórias.

Quanto vocês gastaram para pagar todos os direitos?

Foram quase R$ 200 mil. Daria para fazer um outro documentário só com essa quantia.

 

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