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Matéria no Almanaque Virtual sobre o filme Damas do Samba.

 

 

 

Susanna Lira entende muito bem a alma feminina. Em “Positivas” (2009) a diretora desnudava a realidade de sete mulheres que haviam contraído o vírus HIV de seus maridos, com depoimentos corajosos, sinceros e emocionantes. Ela também assinou a direção (junto comGideon Boulting) de uma série para a Tv intitulada “Mulheres de Aço“, que retratava a vida privada de policiais civis do Rio de Janeiro.

Desta vez seu olhar vai para a presença feminina na criação, manutenção e perpetuação do samba até os dias de hoje. O documentário Damas do Samba (Brasil, 2013) faz um passeio sobre algumas mulheres que tiveram uma importante participação ou influência na história do samba no Rio de Janeiro, através de depoimentos de musas, pastoras, tias, ompositoras, passistas, madrinhas, carnavalescas, mulatas, intérpretes, empresárias e até mesmo operárias.

O conteúdo deste documentário poderia ser desperdiçado diante da quantidade de informações que o tema propõe, mas Susanna consegue driblar esta armadilha condensando em apenas 75 minutos, a força, a dignidade e orgulho que o poder intuitivo feminino representa dentro desta expressão cultural extremamente importante, capturando o público com depoimentos espontâneos e imagens significativas.

Sutilmente dividido em episódios, Damas do Samba (Brasil, 2013) começa fazendo um levantamento histórico da chegada das mulheres negras africanas na cidade do Rio de Janeiro para depois embarcar o espectador em uma deliciosa viagem repleta de humor e sentimentos. Entre unhas compridas, esmaltes coloridos, brincos, pulseiras, muito suor e algumas lágrimas, a diretora apresenta suas personagens como guerreiras mestiças trajando armaduras de plumas e paetês que lutam com seu “gingado de resistência”.

Apesar do apelo popular, o documentário transcende o espaço meramente ilustrativo e informativo, propondo uma gama de discussões que podem variar de espectador para espectador. O depoimento emocionante de Tia Suluca de 85 anos, por exemplo, reflete até que ponto vale a pena o sacrifício da resignação e a alegria da entrega de toda uma vida dedicada ao samba. O filme nunca sai dos trilhos e se encerra com o “passar do bastão” e a responsabilidade que a nova geração terá que assumir daqui por diante, apontando para um futuro esperançoso.

Sem jamais resvalar para a vulgaridade e fugindo dos clichês (que fica evidente na escolha da trilha sonora), Susanna reconhece de forma extremamente carinhosa, o esforço destas mulheres que contribuem para a construção de uma identidade bem brasileira.

Première Brasil – Competição – Longa documentário

Damas do Samba (Idem)

Brasil, 2013. 75 min.

Direção: Susanna Lira

Com: Nilze Carvalho, Tia Surica, Lucinha Nobre, Tia Suluca, Rosa Magalhães

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