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Matéria no O Dia sobre o filme Damas do Samba.

 

 

Rio – Ao ouvir uma mulher dizendo que gosta de samba, tem muito homem que pede: “Então dança”. Mas não é só de gingado nas cadeiras que a ala feminina do gênero se faz. “A mulher não é só aquela figura da mulata passista”, defende a diretora Susanna Lira, que foi investigar melhor o tema por sete anos. O resultado foi o documentário ‘Damas do Samba’, com estreia marcada para a próxima quinta nos cinemas.

O filme reúne ícones da música, como Dona Ivone Lara, Alcione e Leci Brandão, contando como conquistaram espaço em um meio com forte domínio masculino. “Elas falam que são mulheres abusadas, atrevidas, que precisam ter uma certa marra para mostrar quem são”, ressalta Susanna. E assim foi desde os primórdios do samba no Rio. “A Tia Ciata (1854-1924) tinha essa marra e autoridade. Tanto que o primeiro samba (‘Pelo Telefone’, de Donga e Mauro de Almeida, de 1917) foi gravado em sua casa”, conta a diretora.

Como quem cantava o gênero era considerado malandro e podia ser até preso na época de Tia Ciata, ela acobertava os cantores em seu terreiro, onde hoje é a Praça Onze. “Ela era uma mãe de santo que fomentou o espaço para o samba na cidade”, acrescenta Susanna, acreditando que esse tipo de música já nasceu sob a bênção espiritual do candomblé e das tias baianas.

A cantora Mariene de Castro é outra que defende a teoria. Em entrevista para o longa-metragem, ela diz que o protagonismo feminino no samba está diretamente ligado à hierarquia de sua religião. O que fica claro não apenas pela maneira de se portar das ‘damas’ como na letra de muitas canções.

“Embora as mulheres tenham se destacado, esse ainda é um meio muito masculino. Por muito tempo, Dona Ivone Lara deu suas composições para o filho aprovar. Até que ele disse: ‘Você precisa dizer

“Acho sensacional a passista e o poder que ela exerce. Mas também quis mostrar um outro lado. Optamos por filmar muito os bastidores dos desfiles (Portela e Mangueira), as aderecistas — que não aparecem, mas são imprescindíveis —, a velha guarda e a ala mirim”, ressalta ela, chamando a atenção para o lado social do tema.

Mas, se a ousadia e força feminina foram os agentes inspiradores do filme, o amor e a dedicação pela música e suas escolas são o que mais impressionam Susanna hoje. “Não entendia como as pessoas se empenhavam tanto o ano inteiro para desfilar por alguns minutos. Foi na Avenida que me senti parte de um todo, é uma catarse”, define ela, que desfilou pela primeira vez em 2012, na ala da comunidade da Portela.

 

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