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O filme Damas do Samba ganha prêmio Almanaque.

 

 

Rô Caetano dá seu Prêmio Almanaque para três filmes de mulheres:

“O Prêmio Almanaque número 148 (ano XIII), de outubro de 2015, vai para três cineastas e seus respectivos filmes (todos em cartaz): Anna Muylaert(“Que Horas Ela Volta?”, Joana Nin (“Cativas – Presas pelo Coração”) eSusanna Lira (“Damas do Samba”). O filme de Anna não só tem três protagonistas femininas (Val, Bárbara, Jessica), que discutem temas da vida cotidiana da mulher, trabalham e/ou estudam, como conta na direção de fotografia (cargo em que 99% dos profissionais são homens) com uma das grandes-imensas fotógrafas de nossa América Latina, a uruguaia Barbara Alvarez (dos filmes de Lucrécia Martel). O filme de Joana Nin seleciona sete (ou 8) mulheres livres que se apaixonam por homens encarcerados. E dedica todo seu olhar ao cotidiano, trabalhos e dedicação delas à vida. Sem esquecer os sonhos. Seja uma mulher madura que se apaixona por um rapaz que podia ser filho dela, seja por outra grávida do prisioneiro, seja uma debutante na visita ao namorado encarcerado que se submete aos rigores da revista policial, pela primeira. Isto depois de lutar como uma leoa para conseguir a carteirinha de visitante. Susanna Lira também nos encanta com suas mulheres. São compositoras, cantoras, passistas, porta-bandeira, carnavalescas e crianças (meninas) que amam o samba. O filme é ótimo. E se não fosse, ele justicaria o ingresso por dois momentos sublimes: Dona Ivone de Lara, aos 94 anos, cantando à capela, “Sonho Meuuuu”; e Beth Carvalho imitando Clementina de Jesus num canto de escravo, acompanhado de movimento gestual (de mãos em especial) que nos transporta da ruiva Beth, vinda da classe média de Botafogo, para a memória que guardamos da preta (velha doméstica) que Hermínio Bello de Carvalho revelou no antológico “Rosa de Ouro”. Mas o filme é muito bom, porque faz um recorte delicado do feminino, colhe depoimentos substantivos, ama suas personagens e dá tempo para que nos ensinem (sem nenhum didatismo rasteiro) o quanto elas são essenciais ao samba e suas agremiações, desde a Tia Ciatta, passando por Dona Zica, Dona Neuma, Rosinha Magalhães, Leci Brandão, Vilma, a maior porta-bandeira da história da Portela, e Piná, a rainha beija-flor que dançou com o príncipe desajeitado. A mulher que não assistir a estes três filmes nunca saberá o que está perdendo.”

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